Projeto Fauna do Parque São Francisco

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Projeto Fauna do Parque São Francisco

No final de 2015 o Caeté-Açu firmou parceria com a FAEMA (Fundação do Meio Ambiente do município de Blumenau) para desenvolver o Projeto Fauna do Parque Municipal Natural São Francisco de Assis em Blumenau, com o objetivo inicial de diagnosticar os mamíferos de médio e grande porte. A FAEMA adquiriu 3 armadilhas fotográficas para o desenvolvimento do estudo e o Caeté-Açu executa voluntariamente as atividades de campo, análise dos dados e divulgação dos resultados. Estudos envolvendo mamíferos terrestres de médio e grande porte são extremamente relevantes para avaliação da conservação de áreas protegidas, devido ao grau de ameaça e a importância ecológica do grupo. Entretanto, a observação em condições naturais é dificultada devido ao hábito noturno e comportamento esquivo desses animais, um recurso tem sido o uso de tecnologias, como as armadilhas fotográficas. Este estudo tem como objetivo obter dados ecológicos sobre os mamíferos de médio e grande porte, além de subsidiar as ações de proteção e manejo necessárias para garantir a conservação das espécies no Parque São Francisco. O parque está localizado no centro do município de Blumenau (aproximadamente 26º 55’ S e 49º 05’ W; 35 a 135 m de altitude) e possui uma área de 23ha circundada por área de proteção ambiental (APA) de 43ha. Para o levantamento dos dados, são realizadas caminhadas para observações de vestígios e quando possível, a visualização direta de indivíduos. Também foram instaladas três armadilhas fotográficas para o registro das espécies, sendo dispostas em diversos ambientes do parque, vistoriadas a cada 30 dias.

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No primeiro ano do projeto, foi realizado um esforço de 20 km de caminhadas e de 17.280 horas de amostragens com as armadilhas fotográficas e obtidos 480 registros de mamíferos silvestres terrestres, pertencentes a 6 ordens, 9 famílias e 9 gêneros, dentre esses, duas espécies consideradas ameaçadas de extinção na categoria vulnerável: gato-maracajá (Leopardus wiedii) e bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans); e duas espécies exóticas: gato-doméstico (Felis catus) e o cão (Canis familiaris). As cutias (Dasyprocta azarae) foram consideradas como “muito comuns” (81%), o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus) como “comuns” e o restante das espécies, o mão-pelada (Procyon cancrivorus), gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), serelepe (Guerlinguetus ingrami) e o gato-maracajá (Leopardus wiedii), foram consideradas raras na amostragem. A presença de animais exóticos, a fragmentação do hábitat e os atropelamentos foram considerados as principais ameaças para os animais silvestres do parque. Embora impactado por algum tipo de influência antrópica, verificou-se a permanência de espécies de mamíferos mais exigentes, inclusive, aquelas consideradas ameaçadas de extinção. Entretanto, para que as espécies registradas consigam sobreviver e desempenhar seu papel no ecossistema, torna-se essencial a intensificação da fiscalização e proteção da fauna, além do desenvolvimento de programas de conservação e educação ambiental no Parque São Francisco.

Equipe voluntária:

Coordenadora Bióloga Ma. Cintia Gruener

Bióloga Sabrina Lenoir

Apoio:

Equipe do Parque Natural Municipal São Francisco de Assis e FAEMA.


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